O dia em que me apaixonei por um cachorro

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Anakin e Andréia curtindo a paisagem
Anakin e Andréia curtindo a paisagem

Convidamos a jornalista Andreia Brasil e seu cãozinho Anakin para falarem dos vários pontos relacionados à vida de um cão (e seus tutores) fora do país. Como levar um cachorro para o exterior? Como fazer com que ele se adapte a um clima totalmente diferente? Como organizar o dia a dia de humanos e cães em uma nova realidade? Estamos muito contentes em tê-los por aqui e temos certeza de que contribuirão muito com uma experiência única! Se você tiver sugestões para os posts ou tem curiosidade de saber mais sobre a vida de um cachorro em outro continente, escreve pra gente 😉 leveseucachorro@gmail.com

“Sempre gostei de cachorros. E de gatos também. E de bichinhos em geral. Apesar disso, não era exatamente apaixonada por eles. Quando criança, por exemplo, se alguém me perguntava o que eu seria quando crescesse, veterinária nunca aparecia entre as respostas.

Anakin comemorando seu aniversário
Anakin comemorando seu aniversário

Ao longo da minha infância e adolescência, tive duas cadelinhas e alguns gatinhos, mas eles viviam a maior parte do tempo do lado de fora de casa, no quintal. Depois que me casei com o Rodrigo – que adora animais e sempre cuidou muito bem dos seus –, vez ou outra o tema “vamos ter um bichinho de estimação?” aparecia nas conversas. Mas, sabe como é, a gente morava em apartamento, minhas roupas ficariam com pelos, teríamos que dar banho e juntar as caquinhas. Assim, eu acabava adiando o dia de receber um peludo em casa.

Até que eu tive depressão. Vivia triste, sem vontade de sair de casa. Rodrigo, com o desejo enorme de me ajudar, sugeriu mais uma vez que aumentássemos a família. E eu topei. Achei que, finalmente, tinha chegado a hora.
Começamos a procurar um cachorrinho para adotar. Em novembro de 2012, minha cunhada, que trabalha como pet sitter em São Paulo, nos contou sobre o Mickey, um westie (raça desconhecida para mim até então) de cinco meses que estava para adoção em Santo André.

Ah, foi amor à primeira foto! Aqueles olhinhos de jabuticaba e o focinho de botão eram fofos demais para serem ignorados. O casal que o comprou achava que ele não se enquadrava na família; já na nossa, que incrível, tudo ficou mais perfeito quando ele chegou!

Fomos buscá-lo no dia 01 de dezembro daquele ano. Eu mal havia dormido na noite anterior de tanta ansiedade. E fiquei encantada quando o vi. Na volta para casa, vim com ele no banco de trás do carro. Ele parecia confuso: “Quem são vocês? Para onde estamos indo? Vocês têm comida?”, acho que ele faria essas perguntas se pudesse – e não necessariamente nessa ordem.

Passamos no pet shop e compramos tudo que precisávamos: uma cama, brinquedos, coleira e, claro, comida. Chegamos em casa e nosso filhote ganhou um novo nome, Anakin. Dali em diante tudo mudou. A casa ficou mais bangunçada, há sempre brinquedos espalhados pela sala, os gastos aumentaram, tivemos problemas de comportamento (só há pouco tempo, por exemplo, resolvemos a ansiedade de separação).

Tivemos também um trabalhão para cruzar o Atlântico com ele quando nos mudamos para a Holanda dois anos atrás. Mas tudo valeu a pena, porque nada se compara ao tamanho da alegria que ele nos proporciona. Nossa vida é muito mais divertida e nós somos muito mais felizes por causa dele.

Esse laço entre nós é tão forte que eu, uma pessoa que achava esquisito alguém chamar um cachorro de filho, me sinto mãe desse peludo de nariz úmido. Não há nada mais gratificante que voltar para casa e ser recebida pela maior festa do mundo nem nada mais revigorante que seu abraço quanto estou triste. E é sobre esse amor – e também nossas aventuras pelo Reino dos Países Baixos – que vou escrever nessa coluna. Você é nosso convidado para compartilhar com a gente um pouco de tudo isso!

Um beijo, uma lambida e até breve!”
Andréia Brasil e o cãorrespondente Anakin

2 COMENTÁRIOS

    • Oi, Rupert! Com relação ao fuso horário, o Anakin chegou tão cansado (no total, a viagem para ele durou umas 15 ou 16 horas, por conta dos procedimentos antes e depois do embarque/desembarque) que, no dia seguinte, já estava dentro do horário holandês. Tirando isso, a mudança não foi tão difícil. Ele se adaptou rapidinho à nova casa e rotina, e adorou começar a explorar novos lugares e cheiros. Obrigada por sua pergunta! Um beijo

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