Nove malas e um cachorro: sobre viajar com um cão para o exterior

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Anakin se adaptando à caixa de transporte

O ano de 2014 foi intenso e cheio de novidades para mim, meu marido Rodrigo e nosso filhote Anakin. Em julho daquele ano, nós embarcamos em uma grande aventura e nos mudamos para a Holanda. Antes disso acontecer, tivemos muitas questões para pensar: vender os móveis e o carro, encerrar o contrato de aluguel, encarar mil burocracias para o visto, nos despedir dos amigos e da família – que estão espalhados por cidades diferentes do Brasil.

No meio de tudo isso, também precisamos ir atrás de um item fundamental, a viagem do Anakin. Viajar com um cão para o exterior não é das tarefas mais simples – nem das mais baratas. Para poupar um bocado de dor de cabeça, contratamos a Universal Pet Brazil, empresa especializada no assunto que cuidou de todo o processo burocrático para nós.

Anakin fazendo as malas
Anakin fazendo as malas

No começo, a ideia era trazer o Anakin somente depois que já estivéssemos instalados aqui, porque encontrar moradia pode ser uma tarefa hercúlea em Amsterdã. Mas, depois de uma conversa com a equipe da empresa, mudamos os planos. Mandar o Anakin para cá sozinho era inviável, para nós e para ele. Como nosso branquelo teria que ser despachado como carga, ele teria que encarar incontáveis horas de confinamento no aeroporto, mais 12 horas de voo e ainda sabe-se lá quanto tempo após o desembarque até que pudéssemos pegá-lo. Já o valor dessa viagem seria tão alto que valeria mais a pena pagar as passagens de ida e volta para alguém acompanhá-lo.

 

 

Sobre documentos e bucrocracias

Anakin se adaptando à caixa de transporte
Anakin se adaptando à caixa de transporte

Com relação à viagem de animais de estimação, cada empresa aérea tem suas próprias regras. Nós escolhemos a holandesa KLM, porque ela faz o trecho São Paulo-Amsterdã sem conexões. Com eles, o bichinho só voa na cabine se o peso total (animal mais a bolsa/caixa de transporte) for, no máximo, 8kg. Como o Anakin pesa, sozinho, quase 15kg, a opção era trazê-lo como bagagem de porão.

Para isso, tivemos que providenciar uma caixa de transporte que seguisse as regras da IATA, Associação Internacional de Transporte Aéreo. Basicamente, o canil deve ser de fibra de vidro ou plástico rígido, sem rodinhas, com travas superiores e inferiores na porta e ser fechado também com parafusos. Além disso, o espaço interno precisa ser grande o suficiente para que o animal possa ficar em pé, deitar e se virar sem dificuldades.

A gente ainda providenciou um bebedouro especial para colocar na caixa. Nos dias que antecederam a viagem, deixamos o Anakin ir se acostumando ao canil e também  ensinamos para ele como usar o bebedouro. Para isso, usamos alguns litros de água de coco, o que foi totalmente aprovado pelo peludinho.

Falando sobre documentos, o governo holandês (e a maioria dos países da União Europeia) exige o seguinte:

– Microchip ou tatuagem visível para identificação;

– Vacina antirrábica;

– Exame de sangue atestando a validade da vacina, ou seja, que o animal apresenta anticorpos suficientes contra a doença. Isso tem que ser feito por laboratórios credenciados pela UE pelo menos três meses antes da viagem;

– Certificado veterinário dentro do padrão da UE que não só contém os dados do animal, do dono, a comprovação da vacina, como especifica que o animal está com a saúde em dia. Esse documento, o Certificado Zoosanitário Internacional (CZI), é assinado pelo Ministério da Agricultura poucos dias antes do embarque.

Prontos para o embarque

Anakin e as malas da viagem
Anakin e as malas da viagem

Na semana da viagem, a Universal Pet Brazil realizou uma consulta para checar se estava tudo certo com Anakin e aplicou antipulgas e vermífugo. Depois, levou todos os documentos (carteira de vacinação, atestado de saúde, resultado do exame de sangue e passagens aéreas) até o escritório do Ministério da Agricultura no aeroporto de Guarulhos (SP), onde pegou o CZI.

No dia da viagem, chegamos ao aeroporto com cerca de três horas de antecedência – recomendação da companhia aérea. Fizemos o check-in, despachamos nove malas e ficamos com a caixa de transporte e o Anakin. Uma hora antes do embarque, levei meu filhote para dar umas voltas pela rua, tanto para aliviar sua bexiguinha quanto para me despedir dele.

Na hora de entrar no canil, Anakin não poderia ter sido mais bonzinho. Foi tranquilo, sem chorar ou reclamar. Além de todos os dados do voo e nossas informações pessoais e de contato, fixamos na caixa a garrafa de água e uma porção de ração. Dentro, forramos o piso com tapetinhos higiênicos, colocamos uma camiseta velha do Rodrigo e um cobertor. Era tudo que podíamos fazer para tentar tornar as 12 horas de voo um pouco mais confortáveis para ele.

Até logo, Brasil!

O tão esperado reencontro no desembarque
O tão esperado reencontro no desembarque

Para nós, embora a viagem tenha sido boa e sem turbulências, foram horas tensas, de preocupação. Por vezes, me peguei apurando os ouvidos para tentar ouvir algum latido (sem sucesso, óbvio). Tive enjoo, passei mal e não preguei o olho a noite toda.

Quando finalmente desembarcamos em Amsterdã, corremos para a área de bagagens. Não sei dizer quanto tempo se passou até que o trouxessem por uma porta especial, mas não demorou muito; as bagagens ainda nem tinham começado a rolar pela esteira. Anakin chegou com mais dois coleguinhas, companheiros de jornada que tinham vindo para a Europa participar de uma competição de beleza e inteligência canina.

Anakin parecia estar cansado, talvez não tenha dormido muito, mas estava calmo. O tapetinho estava limpo e ele não havia tomado água ao longo do voo. Quando saímos do aeroporto, antes de entrar no taxi, o levei para andar pela grama. Ah, como foi bom vê-lo se esfregar ali, esticar as patinhas e fazer o maior xixi da vida! Sim, agora ele estava muito bem, obrigada!

Quarenta minutos depois chegamos à nossa primeira casa em Amsterdã. Logo em frente, um parque onde ele correu solto, brincou muito, fez novos amigos, caçou coelhos… mas essas histórias eu conto nos próximos textos.

Um beijo, uma lambida e até breve!

Andréia Brasil e o cãorrespondente Anakin

Mais informações sobre emigração de animais
Embaixada do Reino dos Países Baixos 

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