Adoção de animais: conheça um pouco mais sobre essa troca de amor

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Nós adoramos falar sobre adoção de animais, e sabemos que este é um assunto complexo, pois envolve bichinhos que foram abandonados, seres humanos que se dispõem a amá-los e serem amados, ONGs e protetores, e etc. A jornalista Rebecca Vettore, do blog http://rebeccavettorefoca.blogspot.com.br/, fez uma materia bem legal sobre o assunto, que compartilhamos a seguir. Boa leitura

cachorro_idosoHá 14 anos, eu e meus pais fomos conhecer um cachorrinho abandonado. A ideia era só dar uma olhada, mas depois que vimos o Samuca pela primeira vez, nos apaixonamos. Desde então, não houve um momento de arrependimento na adoção do nosso cachorrinho! Mas, com certeza, não é isso o que acontece com muitas famílias brasileiras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Para entender os motivos desses abandonos, que não param de acontecer, conversei com a Janaina Adornelas, que é membro da ONG Avama. “A falta de conscientização existe quando a pessoa é mais velha. Ela não foi ensinada e não tem um respeito por aquele animal. Às vezes, a pessoa engravida e acha que não precisa mais ter um cachorro ou um gato. Ou o cachorro late muito, começa a fazer muito cocô. Em áreas mais carentes tem muito animal abandonado, existe muita procriação e as pessoas não se importam muito com isso.”

A ONG, que existe há quase 5 anos, foi fundada por Jacy Malagoli, com o objetivo de recolher os animais de situações de crueldade, melhorar suas vidas e achar um lar para viverem por todos os seus dias. Nesse tempo, já foram doados mais de 9 mil animais. Para que esse número de doações continue crescendo, a instituição conta com mais de 40 protetores, 11 voluntários e 10 membros. Os protetores são pessoas que acham animais na rua, cuidam, levam ao veterinário, alimentam, castram e levam para serem doados em feiras que acontecem em todos os fins de
semana, na cidade de Osasco.

Os voluntários são as pessoas que ajudam na montagem e desmontagem das feiras, fazem o transporte dos animais e ajudam no atendimento dos potenciais donos. Os membros fazem palestras de conscientização em escolas, cuidam de alguns animais em casa, organizam as finanças da ONG e distribuem doações de rações.

Doar é uma ação que faz parte da vida de quem decide adotar um animal. Pelo menos é o que percebi quando conversei com Adriana Fernandes, coordenadora pedagógica e dona de dois animais adotados. Ela, que está grávida de 5 meses, sentiu que fez mais do que adotar os seus gatos Petrukio e Tequila. Para ela, eles não eram simples animais de estimação, mas tinham virado seus primeiros filhos. Desde que chegaram, a Adriana doa o seu tempo, amor,
cuidado e atenção para esses animais.

Esta pequena foi resgatada, mas não resistiu e faleceu

Adriana sempre gostou de gatos e nunca passou pela sua cabeça comprar um bichinho, porque via muitos animais de rua precisando de um lar. primeiro gato foi doado por uma amiga que o encontrou quase morrendo debaixo de um carro. “A outra gatinha foi jogada na minha rua após ser deixada numa casa de ração. Um menino que era meu vizinho pegou ela e a mãe não deixou ficar. Então jogou a gata na rua de novo. Eu passei por lá e um vizinho disse que ela estava assustada e sem dono. Então peguei ela para mim”, disse Adriana.

Pegar um animal e devolvê-lo para a rua é, infelizmente, mais comum do que se imagina, principalmente quando o animal é comprado ou adotado quando ainda é filhote. Janaina, membro da ONG Avama, me contou que esses animais chamam atenção, mas dão mais trabalho. “Filhote é sempre mais procurado, porque a pessoa acha que pequeno vai se
acostumar com a família, é mais bonitinho. Então a entrevista que nós fazemos com os candidatos a donos desses animais tem que ser mais criteriosa. E quando o cachorro é filhote, a pessoa sempre questiona: vai crescer? Enfim, não tenho como saber.”

Então, para quem quer adotar e já quer saber como é o temperamento desse animal, vale adotar quando ele já está na fase adulta, como fez a Isabela Ferreira, de 24 anos. Ela adotou a cachorrinha Maggie quando ela tinha um pouco mais de 1 ano de vida, no centro de zoonoses da cidade de Boituva, no interior de São Paulo.

Adotar era algo que passava pela cabeça da Isabela, mas não era uma ideia assertiva porque a primeira cadela que a família teve havia morrido pouco tempo antes e deixou um vazio na casa. Essa lacuna foi preenchida com a chegada da Maggie, “uma cachorrinha carinhosa e linda”. “Desde que ela chegou, mudou tudo, é a alegria da casa.”

Ensine as crianças – O ato de adotar é algo que pode e deve ser ensinado para crianças, e com certeza foi ensinado à Raquel Oliveira, professora de biologia de 28 anos. Desde pequena, tinha em casa cachorros que eram adotados. “Ter o exemplo dos meus pais, de adotar, me ajudou, mesmo que inconscientemente, a adotar novos animais. E adoção, para mim, é uma oportunidade que damos para nós e para quem está sendo adotado. É uma oportunidade de cuidar, de amar e tirar um animal da situação de abandono. Os animais trazem muita alegria, são como filhos.”

Raquel gosta de dizer que seus primeiros gatos é que a adotaram como dona. Florentino, Fera e o Fumaça nasceram no quintal da sua vizinha, mas foram para sua casa e nunca mais saíram de lá. Desde a chegada deles, Raquel sentiu o amor pelos animais crescer, e começou a aprender sobre esse novo universo. E mesmo com 3 gatos, ela resolveu ir em uma feira da ONG Avama para adotar mais um animal.

Para diminuir a quantidade de animais abandonados, existem algumas atitudes que podem ser tomadas. Mas a principal, para Janaina, é a castração de animais. É isso o que a ONG Avama faz todo mês: dar oportunidade para que os moradores de Osasco possam castrar os seus bichinhos a preços populares. Se você está pensando em adotar um animalzinho, recomendo a leitura das regras da ONG Avama para futuros donos:

1 – Animais resgatados passam por situações difíceis, então podem estar traumatizados e depressivos. O dono deve ser compreensivo e dar muito amor e carinho ao adotado;
2 – É necessário ter comprometimento com a adaptação do animal;
3 – Se nascer uma criança na família, continue com o animal. Se houver mudança de endereço, o animal deve ir junto;
4 – Você tem que ter condições financeiras para cuidar do animal;
5 – O animal precisa de água, comida e abrigo para frio, sol e chuva;
6 – Pense em quem ficará com o adotado na sua ausência;
7 – O animal adotado não é brinquedo: não se dá, não se vende ou compra;
8 – Atenda às necessidades do seu bichinho, e lembre-se: ele se apega, precisa de educação cuidadosa e paciência.”

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